terça-feira, 6 de outubro de 2009

Saudades é estando longe sentir vontade de voar e estando perto querer parar o tempo



Um dia desses eu estava com a Bru voltando de um barzinho e ela me fez uma pergunta. “Amiga, como é sua vida sem a sua mãe?” Respondi sem pensar. Falei, falei e falei com o coração.

Como é a vida sem a minha mãe? Muuuito difícil. Eu nunca me recuperei da ausência dela. Eu sobrevivi. Eu sobrevivo. Penso nela em todos os segundos. Ela é a minha referencia de vida. Tanto pro certo, como pro errado. Sim, minha mãe foi uma grande mulher, mas errou na vida como todos nos erramos. E acredito que isso a faz mais referencia ainda!

Acordo e vou dormir todos os dias pensando nela. Todas as decisões que vou tomar, penso nela. Todas as novidades que tenho, penso nela.

Viver sem a matriarca é uma coisa impensável para todos nós. Nada chega nem perto de cobrir a lacuna que sinto no coração pela falta dela. Graças a Deus tenho muitos e só motivos pra sorrir na vida. Meus sobrinhos, que são a total continuação e o grande legado deixado por ela, meus irmãos que mesmo entre trancos e barrancos estamos. Meu pai que com as escolhas dele, vive e trás em seus olhares as melhores recordações dessa magnitude que foi a minha mãe. Meu grande amor, que me faz acreditar em tudo e principalmente em mim, me dá forcas para seguir o meu caminho sempre juntos!

Minha mãe era uma dessas mulheres incríveis na vida. Uma mulher de princípios, com a prioridade na família e na felicidade dos seus. Uma daquelas pessoas que onde passou deixou laços, lembranças, saudades!

Minha mãe era uma mulher forte, decidida, com um coração maior que o mundo, tinha uma visão sempre boa das coisas e de tudo. Generosa, fazia trabalhos voluntários dando sopa para crianças carentes e promovendo sonhos. Um ano, ela sonhou que tinha dado bonecas de panos para todas as crianças do grupo “Criança Feliz” que ela com a sua grande amiga Estela ajudavam. Meses depois estávamos todas nós ajudando-a a fazer bonecas de pano para as meninas carentes!

Minha mãe era idealizadora e realizadora. Sonhou com uma grande família, com uma casa cheia de gente, com filhos crescidos, formados. E foi atrás. E teve tudo que sonhou. Sonhou com uma viagem para Europa e realizou. Sonhou com um casamento de princesa para a primogênita e fez. Sonhou com a neta e a teve.

Minha mãe nos protegia tanto que orava todos os dias pela nossa saúde. Minha mãe era gansa, com os maiores braços do mundo. Saia para o centrinho de Itanhaem voltava com presentinhos. Mas nunca somente para os filhos, mas sempre para os amigos também. Minha mãe era tão presente que mesmo após a sua morte nos deixou presentes de aniversario embalados em papeis com nosso nome, enxoval e muitas saudades!

Minha mãe me ensinou tudo que sei. Agradeço todos os dias por ter tido maturidade aos meus 18 anos para cuidar dela. Para não me importar com tardes no barzinho no primeiro ano de faculdade e sair correndo para levá-la ao medico porque as nossas tardes era muito melhores que as tardes no bar.

Ela me ensinou os valores de uma família, a generosidade sem deixarem abusar dela. Ensinou que o amor não tem limites, que podemos amar muitas pessoas de muitas formas diferentes. Me ensinou que pessoas que não gostam de bichos e crianças não podem ser boas de coração. Me ensinou a ver sempre o lado bom das coisas mesmo nos momentos mais difíceis da nossa vida. Me ensinou que o amor ensina muito, mas com a dor evoluímos mais rápido, e que cair, chorar e sofrer também faz parte da nossa evolução.

Me ensinou que não importa o que quanto estivermos com a razão, muitas vezes o melhor é ceder. Me ensinou que nos doar pelos outros é ótimo e que muitas vezes essa pessoa que hoje é o nosso mundo pode nos magoar. E que perdoar é uma das maiores virtudes de um homem. Mas que mais difícil que perdoar aos outros é perdoar a nós mesmos.

Me ensinou limites, me ensinou a impor limites por mais doloridos que eles sejam. Me ensinou que por mais que sabemos que os caminhos de nossos amados não estejam “””corretos””” existem coisas que cada um tem que viver para aprender. Me ensinou que não existe certo nem errado, existem pontos de vista. Me ensinou que mais importante que agir corretamente é estar com a consciência limpa. Que muitas de nossas decisões as pessoas não entenderão e seremos julgados por elas.

Me ensinou que muitas das pessoas que amamos não o sabem, que muitas e muitas vezes na vida seremos julgados e que o importante é seguir e agir com a cabeça e o coração. Me ensinou a sentir alem de que com o coração, com a alma!

Me ensinou que alguns momentos da vida temos que ser egoístas e pensar em nós. Que cada um é responsável pela sua evolução. Que cada pessoa que passa por nós tem um significado, um motivo, um caminho, uma razão.

Me ensinou que amigos são tão importantes como a nossa família pois são os nosso eleitos de caminhada. Me ensinou que não devemos amar alguém somente porque faz parte de nossa família. Que o que une a família são os laços, o que une os amigos é afinidade e o amor.

Me ensinou que por mais dura que a vida seja, ela é por demais rara e bela e que quanto mais aprendermos com as dificuldades mais rápido aprendemos as lições que ela nos trás. Me ensinou que tudo, tudo e tudo que desejamos conseguimos. Que não existe sonho impossível, montanha alta demais. Que com luta e suor tudo é possível.

Ela me ensinou muito mais que posso escrever e tentar registra. Só não me ensinou a viver sem ela a domar essa saudades insana que toma conta de tudo!

“Saudades é estando longe sentir vontade de voar e estando longe querer parar o tempo”. Eu te amo, minha mamãe gansa! E se hoje não sei ainda lidar com as saudades é porque você é demais de maravilhosa. Demais para aprender a viver sem! Saudades!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Insônia

São três horas da manha e eu não consigo dormir... preocupações, pensamentos, otimismo! Insônia era algo que jamais achei que teria na vida. Durmo tão pesado e tão bem.

Quando era pequena, via minha mãe sofrer de ausência de minutos de silencia mental, como ela dizia. Ela ficava acordada ate tarde, dormia muito pouco. Criei em meu cérebro algum mecanismo que gritava “você tem sono pesado, não tem problemas para dormir, dorme super bem em qualquer lugar”. Acreditei nisso por anos. Até hoje! Até essa semana!

Eu sou uma pessoa super confiante, não me abalo facilmente. Me adapto facilmente as mudanças e estou sempre lutando pelo que quero. Porém, esses meses de desemprego me trouxeram novas emoções. O (entre milhões de aspas) “não poder fazer nada”.

Passo manhas, tardes e noites enviando CV’s. Fico horas e mais horas na frente de um computador, estudando, entrando em sites de empresas, emails para meus contatos, tudo atrás de um emprego. Atrás do meu sonho, de produzir, de AGIR!

Tudo na minha vida sempre teve algo com Ação. Fazer, correr atrás, estudar, mudar de emprego, buscar alguém, dar colo pra alguém... agora, após meses e meses enviando CV’s, encontro-me numa situação de “ter que esperar”.

De tudo que já passei na vida o nada a fazer a não ser enviar mais e mais CV’s, e buscar alternativas para ganhar algum dinheiro, vem acabando com o meu sono!

Antes de ir para Europa, na grande jornada de seis meses, estava numa situação financeira confortável. Tinha um bom emprego, algum dinheiro no banco e vendemos a nossa casa.

Poderia ter comprado um apartamento, adquirido bens e estar agora, nessa mesma sexta-feira, 11 de setembro, ás 3:40 da manha dormindo, me preparando para o dia de amanha, trabalho, almoço, chegar em casa cansada e dormir.

Se me arrependo? Nem um segundo! Na verdade, quando estou quase entrando naquele estagio pré-panico (que normalmente ocorre quando to olhando a minha conta ou pagando alguma conta) vejo as fotos da Europa.

Essas imagens, aquelas recordações, me fazem seguir em frente e acreditar mais e mais. Se hoje os números da minha conta me aterrorizam, me impedem de sair de casa para não gastar e me fazer perder o sono, que nunca imaginei que perdia, é por conta das escolhas que fiz na vida.

E mesmo no meio de tantos pedidos para “aguardar uma resposta” estou agindo. Pensando em Planos Bs, Cs...

Mas uma coisa que me perturba demais é aquela imagem da minha mãe, sem dormir. Eu sei o que me faz perder o sono, mas eu nunca soube o que a fazia. Posso imaginar.

Somos responsáveis pelo que cativamos, pela vida que levamos. Eu não sou vitima de absolutamente nada. Sou agente, sujeito ativo da minha vida! Sei que as coisas vão mudar. Só peco todos os dias sabedoria e paciência. E mais e mais força! Afinal, só sentimos a perda de algo que já tivemos!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Ser você! Mais de muitas provações da fé

Não sou boa com números. Com frases-feitas. E nem com morais de histórias. Gosto do que me tira o fôlego. Venero o improvável. Almejo o quase impossível. Meu coração é livre, mesmo amando tanto.Tenho um ritmo que me complica. Uma vontade que não passa.Uma palavra que nunca dorme. Quer um bom desafio? Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Mas também não coleciono inimigos. Quase nunca estou pra ninguém. Mudo de humor conforme a lua. Irrito-me facilmente. Desinteresso-me à toa. Tenho o desassossego dentro da bolsa. E um par de asas que nunca deixo. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. E sem saber, busco respostas que não encontro aqui. Ontem, eu perdi um sonho. E acordei chorando... logo eu que adoro sorrir.Mas não faz mal. Bom mesmo é essa coisa da vida: um dia, quando menos se espera, a gente se supera. E chega mais perto de ser quem, na verdade, a gente é.

Ser você. Um dos maiores desafios da nossa vida. Descobrir quem somos, do que gostamos, do que não gostamos. Nos definir como pessoa, como ser humano. Como alguém dentro de um contexto, uma sociedade, pessoas, família, amigos. Ser alguém!

Eu valorizo demais o que eu sou, a pessoa que lutei para me tornar! E valorizo demais o que quero, o que desejo pro meu futuro. Tive a escolha profissional de seguir carreira em escritório e resolvi ser ambientalista!

Ah, sim, cuidar do nosso planeta ao invés de qualquer outra coisa. Determinação. Embora as vezes eu pense por um segundo em ceder, no segundo seguinte volto a minha idéia original. Quero muito isso! Muito trabalhar com Meio Ambiente! Não mudei minha vida por acaso. Quero fazer aqui que acredito.

Não consigo ser metade em nada do que faço. Sou sempre 100%. Intensa! Quero ser coerente com aquilo que acredito, fazer o que eu prego. Ser a pessoa que idealizo. Ter a vida que sonho!

Momento nostalgia

Tenho muitos na verdade. Acho que todos os dias. Não sou uma pessoa que vivo no passado, pelo contrario. Mas a Europa marcou a minha vida de uma forma muito mais profundo que a minha tatuagem de canetinha.

Eu mudei, minha percepção da vida mudou. Impossível não acordar as vezes desejando estar em Firenze e a preocupação de ir para escola, de ter feito lição e de qual consulente atenderia no escritório. Pegar a minha Laura e pedalar ate o trabalho.

Mas quando penso profundamente em tudo realmente chego a conclusão que aquele mundo não podia ser real. A minha vida realmente começou a mudar naquele dia 7 de abril quando sai do Demarest.

Daí para frente eu comecei a curtir mais que nunca a minha viagem. Preparativos, planos, organizações. Sem responsabilidades e preocupações. Com um grande objetivo em mente: pegar meu avião dia 12.07 com destino ao meu sonho.

Não tem como não acreditar em Deus depois de tudo que vivi. Acreditar que as coisas acontecem na vida, que o universo conspira a favor. O universo suspirou Italia no meu ouvido. Eu simplesmente obedeci. Vivi intensamente cada momento desse sonho.

Provação da fé

É assim que vejo esses dias e mais dias e meses em casa mandando Cv’s, recebendo milhões de elogios, propostas e muitos “por favor aguarde”.

Um verdadeiro teste da minha fé. Eu estou veramente de saco cheio. Não sem paciência, mas cansada de plantar, plantar e plantar. Ando policiando as minhas palavras, as minhas atitudes. Não conto mais nada para ninguém, tento me proteger como posso. Tenho momentos de ausência de tudo, de nada universal.

Tenho momentos de raiva e momentos de saudades! Momentos de choros soluçantes de gritos altos e de sorrisos eternos...

Isso não significa que eu perdi minha fé. Pelo contrario. Estou muito fortalecida. Não sei para o que a vida esta me preparando, mas deve ser algo grande e que exigirá muito de mim.

To super dura. Só faço a unha para ocasiões super mega ultra especiais. Do contrario é tudo em casa. Cabelo, maquiagem. Banho na Nina em casa. Comida em casa. Gastos somente necessários. Desapego!

Mas o grande teste é o de paciência. De esperar o mundo acontecer. Ai fico pensando.... quando, Meu Deus, quando? Ai apos esse momento de conversas com Ele, eu entendo, compreendo, rezo e …. Aguardo! Calo meus pensamentos me enfiando nos livros do MBA! Ou em mis um site de empresa sustentável para enviar o CV.

Liberami dal male. Seja feita sua vontade. E o mais importe: o que é meu, venha a mim na hora certa! Amem, que assim seja e assim será.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

15 anos da minha princesa

Desde sempre ouvimos as tias, amigas de nossos pais nos encontrando em festas, ocasionalmente no shopping, e após a alegria do reencontro, elas olham para nos e dizem: “Meu Deus, essa é a Aline? A sua caçula? Como ela cresceu, que linda! Lembra quando íamos ao clube de finais de semana e ela ficava brincando de Barbie na piscina com as meninas? Ah, como o tempo passa rápido....”. Sorrimos, agradecemos!

Sempre pensava nesses momentos como pensamentos nostálgicos que os envolvidos tinham, lembrando das coisas vividas de quando as crianças eram de fato crianças, de quando a loucura de 3 filhos pequenos, era uma loucura infantil!

Eis que dia 27 de agosto, minha sobrinha primogênita, aquele bebe que eu me emocionei quando tinha 14 anos ao ver na maternidade, a “menina de sorriso facil” como dizia minha amada mãe, aquela criança linda que sonhava com o príncipe encantado, que beijava o “Aladdin” e cantava as musicas das princesas, pegava minhas barbies de coleção escondidas.... fez 15 anos.

Debutante é a definição das meninas quando se tornam moças. O baile de debutantes é a ocasião formal de apresentação da moça a sociedade. Entendam que desde que minha sobrinha nasceu, minha Irma e minha mãe sonhavam com a festa de 15 anos. Ai assim, num piscar de olhos, esse dia chegou!

A semana que antecedeu a festa foi saudosa. Saudades eternas e infinitas da minha mãe, como ela estaria curtindo... a emoção de comprar uma jóia pra ela, de escolher o vestido. Ai no meu do caminho achei a fita da minha festa de 15 anos. Ai ferrou! Mais saudades ainda.. ai pra ajudar meu ai trás novidades vindas do seu mundo... ai céus!

Dia 29.08 o grande dia! A correria do dia, pe e mao, inventei umas coisas no cabelo e fui pra casa da minha Irma. Cheguei la mais cedo, ela estava chegando do cabeleireiro. Minha princesinha, vestida de mulher!

Quando ela estava pronta... fiquei sem ar. Meu Deus, que linda! Um sorriso e um jeito de menina, mas uma atitude e charme de mulher. Um olhar adulto, uma ansiedade de menina. Essa antagonia em seus olhos, seu sorriso, sua atitude! Fotos, fotos e mais fotos.

A festa foi linda. Que sonho lindo realizado naquela noite. Uma criança que num piscar de olhos cresceu. Vê-la com os amigos, com os irmãos, com a família. Ai depois da valsa, a homenagem de uma amiga! O que aquela pequena falou da minha princesa... convivemos com as pessoas da nossa família, no dia a dia, e sabemos o quanto elas são especiais, maravilhosas. Mas daí a ouvir uma pessoa de fora, uma amiguinha falando dela... que orgulho! Que vontade de dar abraços de tia felícia, de gritar, de aplaudir. Que ser humano lindo, aquela princesinha se tornou.

E foi naquele momento que eu vi como ela não é mais somente a nossa Gica, a minha Preta, a Tatá dos irmãos. Ela é a Giovana Arruda Frate, a mulher, a amiga! Que emoção!

E ai, eu, do lado de ca, agora passo do lado das tias, amigas da mãe que suspiram loucamente olhando para aquelas mocas que ate ontem (sim, ontem!!) eram crianças correndo pela casa, sonhando alto e cantando. Olhei para ela e pensei: “Meu Deus, como o tempo passa. E que linda pessoa ela é!”. E sim, sou a tia coruja, babona e a mais uma espectadora, platéia, ajudante da vida dessa eterna e linda princesa! E ela sorri para mim e com o olhar maduro de mulher e o sorriso faceira da menina fala... “Ai tiaaaaa”!

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

We are family

Quando me inscrevi no Congresso para discussão do Código de Direito Florestal que seria em Curitiba, pensei que seria uma ótima oportunidade de ver a minha família.

A minha família que mora em Curitiba são quase todos os irmãos da minha mãe. Minha Vó e meu Vô eram do Rio Grande do Sul. Moraram na roça alguns anos, minha Avó nasceu em Franco da Rocha meu Avô em Pelotas. Tiveram nove filhos. Sete Marias (Maria Helena, Maria Lucia, Maria Salete, Maria Inês, Maria Tereza, Maria Luiza, Ângela Maria) e dois homens (Edson e Elvis Tadeu). Mudaram-se para Curitiba, onde meus pais se conheceram, estabelecendo-se aqui. A única parte da família que morava em São Paulo era minha mãe. Hoje tenho mais uma tia la.

A maturidade é umas das coisas mais abençoadas da vida. Não é a toa que os trinta anos, são normalmente os melhores de nossas vidas. Não estamos na bagunça dos 20’s nem na adultice dos 40’s.

Sempre penso na família daqui como estrelinhas, distantes e brilhantes. Mas essa viagem somada com a maturidade de meus quase 30 anos, trouxe a importância de estar aqui, de estar presente, de fazer veramente parte! Encontrar minha Vó, ouvir o sotaque gaucho dela, abraçar a minha tia fofíssima e ouvir ela me dizer que eu sou gata, ver a Lulu sorrindo é impagável!

Sentar para tomar café com as três, contar historias da infância, falar da minha mãe. Jantar com a No, Tay e Tadeu, conversar sobre viagens, educação, ouvir meu tio falar do Inter... entrar na casa da Tibe com tudo do Paraná Clube, ver meu primo que esta tão lindo e crescido queridíssimo mostrar para nos o quarto novo dele.

Por isso que num primeiro momento, quando recebi o email do Congresso dizendo que seria adiado por conta da gripe suína (que aqui esta bem mais séria) fiquei chateada. Aquela coisa de estar em casa, sentada no computador mandando Curriculum e poder fazer parte de um momento tão bacana na Legislação Ambiental Brasileira e ter contato com pessoas da área era algo que me motivou tanto.... Ai com o adiamento do Congresso, do inicio do meu MBA, achei que iria enlouquecer.

Mas como a viagem já estava programada achei bom vir. Que me faria bem sair um pouco de casa e mudar de ares. Mesmo que tivesse que ficar no computador mandando Cvs, estou em outra cidade e no meio tempo visito a família, vou ate o Jardim Botânico, assistir o jogo do Paraná Clube e por ai vai.

Mas hoje, estou aqui sentada no Hotel no Centro de Curitiba, mandando Cvs e preparando minhas aulas de Legislação Ambiental que ministrarei em Parelheiros, e escrevendo sobre ver a minha família. Certamente se estivesse em São Paulo estaria em casa, mandando Cvs da mesma forma, mas ouvindo o pó cair da obra do lado, lavando roupa e fazendo parte da minha rotina chata da terra da garoa. Então agradeço por esses momentos.

Esses meses tem sido importantes para a provação da minha fé. A lição da paciência, fé e desapego. Daqui penso como as coisas não acontecem por acaso. Se estou aqui é por uma razão. E se estou aqui com mais tempo de ver as pessoas e curtir a família também não é por nada.

Curtir essa cidade linda e gelada com pessoas lindas e bem vestidas andando pelas ruas. E ainda poder ver meus amigos, família... Agradeço!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Uno anni fa....


Saudades... sentimento que vem la do fundo do coração com uma pontadinha. Cresce, cresce, vai saindo do coração, tomando o corpo todo, chega na alma e explode em lagrimas. Normalmente é assim.

Quando resolvi ir para a Italia estava meio que perdida na vida. Os anjos sopraram Italia no meu ouvido um dia chuvoso de muitos prazos enquanto eu ainda trabalhava no Demarest & Almeida, local que eu adora as pessoas e não suportava o trabalho. Estava no auge da fase poodle.

Resolvi assim... um dia pensando na vida resolvi. Mandei email pra agencia que sempre organiza minhas viagens, em dois meses eu comprei as passagens. Feliz, comecei a organizar a viagem. Em mais dois meses sai do trabalho e comecei o italiano intensivo. Minha cabeça era a viagem. Posso dizer que por mais de um ano minha vida girava em torno da Italia. Diferente da minha primeira experiência fora que havia sido organizada pelos meus pais, essa foi eu. Sozinha! Curti cada momento do planejamento.

Estudei italiano, só ouvia Tiziano Ferro, Eros, Laura (meus amigos que me agüentaram rs), comprei mochila de mochileiro, fiz curso de bagagem, paguei contas adiantadas, comprei ração pros cachorros, muitas e muitas despedidas, taquei meu coração em um canto que não pensaria nele e fui!

Lembro o dia anterior da viagem. A Taty e a Chris chegaram em casa as 6 horas da manha com um vídeo maravilhoso, e lembro da sensação de deixar a minha casa. De sair pelo portão, dar tchau para Lulu e olhar pra trás. Pensar nas coisas que estava deixando pra trás, em tudo que abri mao para realizar esse grande sonho.

Lembro da sensação de passar pelos lugares, pelas ruas de São Paulo com uma mochila nas costas. De encontrar minha Irma em Guarulhos, de perder o olhar no dela enquanto eu sumia dentro da alfândega. A expectativa pelo que eu iria viver, a coragem de me jogar seis meses sozinha na Europa.

Dia 26 fez um ano que cheguei na Italia. A emoção, coração batendo, pulsando... A primeira vista a Firenze, essa cidade que eu amo tão intensamente e me identifico em tantos aspectos... Conhecer as pessoas, primeiro dia de aula, um calor, muitos gellati por dia. Conhecer as cidades, o cheiro de nosso apartamento, subir os quatro andares de escada. A Laura, minha bici.. nossa, andar de bicicleta em Firenze. A felicidade de cabelos voando, ouvindo musica italiana, se perder nas ruazinhas pequenas, e cair no Arno, ponte Vecchio ao fundo... a delicia de fazer parte daquela cidade, de ser uma moradora de Firenze, cidade de Michelangelo, Rafaelo, Dante e tantos outros.

O cheiro da comida, a pastaaaa... ir almoçar no Luiggi, encontrar a Ste no trabalho dela e ir para a Twice. A delicia de planejar o mochilão com a Lu, de viajar pelos países, de dormir na Holanda e acordar na Alemanha. A galocha, o sofrimento com o frio, o Egito!!!

Eu sinto muita falta da Europa. Tem dias ainda que acordo achando que estou em Firenze. Foram momentos únicos, maravilhosos, especiais. Mas, voltei!

Alguns meses organizando a vida, tirar a carta, mudança, reencontros, fins, encontros.

Estou muito ansiosa em começar de novo a minha vida. Trabalhar, produzir. Os dias de enviar Curriculum são cansativos. Já ate sei de cor de tanto preencher sites e formulários. A oscilação de fé. A demora. A paciência. Tem momentos que oscilo entre a sanidade e a loucura. A vontade de estar no mundo, fechada dentro de casa. De gritar tudo que vivi e colocar em pratica a vivencia.

Tudo se resolveu... casa, coração, família... mas não é tudo. Se sentir assim é estar incompleta. A perspectiva do MBA anima. Semana que vem entro em uma nova rotina. Aulas, matéria, pessoas. Logo na próxima semana, congresso em Curitiba. Manter a sanidade essa semana!

Tenho muito o que agradecer. Todas as oportunidades que já tive na vida... Sou uma filha grata, de coração e alma. Saúde, família, amor, paz.

E espero! Com toda fé e paciência que tenho.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Fragilidade de um momento!

A vida é muito frágil. Tantas e tantas coisas acontecem que mudam completamente o rumo das coisas... O mundo é muito dinâmico, em um momento estamos sentados vivendo uma vida e muda! As vezes, muda porque queremos que mude. Outras porque tem mudar.

Estou bem acostumada a lidar com mudanças. Minha psicóloga me chama de camaleoa. Alem de mudar com uma facilidade e uma velocidade impressionante, tenho uma capacidade adquirida de me adaptar as mudanças. Umas mais rápidas que as outras, umas menos doloridas que as outras. Sou aluna aplicada do universo, ou o mais perto disse que podemos nos tornar.

A lição do momento é paciência. Já ouvi isso de tantos diferentes lados, pessoas, planos, que encarei como deve ser encarado. Paciência “é uma virtude de manter um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo” (Dicionário da Wikipédia). “Virtude de quem suporta males e incômodos sem queixumes sem revoltas (Jô 36:2 Biblia).

Ok, se a lição é paciência... aceito!

A fragilidade de um momento

Ontem estava voltando pra casa com meu lindo namorado, após um final de semana delicioso quando um carro passou em alta velocidade por nós. Segundos mais tarde, na curva, o carro saiu, atravessou a outra pista e bateu no poste. Isso tudo diante de nossos olhos, na Avenida Interlagos.

Paramos o carro, outro carro estava do lado da Avenida que foi o acidente, enquanto ligávamos para o bombeiro e atravessávamos a rua, a motorista, Cris, uma menina de uns 25 anos conversava. Visivelmente embriagada, seu nariz sangrava, mas ela estava aparentemente bem.

Ficamos conversando com ela, para acalmá-la (se para mim foi assustador, imagine pra ela). Não podíamos tocá-la, nem fazer nada a não ser esperar. Alguns minutos depois chega sua mãe. E ela diz: “ele fugiu. O carro que bateu em mim fugiu”. Ela estava sozinha. Deu sorte de não pegar nenhum carro, nem motoboy, e ela mesma de estar razoavelmente bem. O carro? Perda Total. A roda pra um lado, tudo destruído.
O olhar da mãe da Cris também não sai da minha cabeça. Ela chegou, parou o carro e veio andando em câmera lenta na direção do carro. Achei que ela fosse desmaiar. Branca, assustada. Peguei em sua mao e disse que a Cris estava bem, que ela poderia vir. Eu me imaginei na situação dela. E a sua filha. Ameaçada de perigo. Num carro distorcido. Medo! Senti isso em seus olhos.

O resgate demorou exatos 30 minutos pra chegar. 30 minutos. Os policiais chegaram rápido, o CET também... mas o resgate... o trabalho deles foi muito rápido. Em 10 minutos a Cris estava dentro da ambulância, imobilizada, indo pro hospital, para seu teste de álcool no sangue e para um pesadelo certo, processo, recuperação, e dores de cabeça plantados pela sua irresponsabilidade. Ela estava a 1 km de sua casa. Dois segundos.

No carro que primeiro a socorreu estava Daniel, um policial em folga, com duas amigas. Após o susto inicial e resgate, ficamos conversando. Ele tinha presenciado um acidente parecido, há uns meses atrás e a pessoa que estava dirigindo, uma mulher, faleceu conversando com ele. O desespero em seus olhos, a dor de uma perda que não era e era dele foi indescritível. “Para morrer, basta estar vivo”, disse ele.

Fiquei tão revoltada. Fazemos tudo direitinho, não dirigimos embriagados, pagamos nossos impostos, vivemos a nossa vida, quietos, lutando pela nossa felicidade. Ai vem uma pessoa sem noção e ameaça acabar com tudo. Com nossos sonhos, nossos sentimentos, nosso bem maior, a vida!

Falei a verdade, pra mãe da Cris, pros policiais, CET e quem mais perguntasse. Vimos, socorremos, chamamos resgate! Ela tem que responder pela sua irresponsabilidade. Naquele momento, a lição era somente pra ela. E se nao fosse?

Um segundo! Tem mudanças na vida que demoram anos e anos para acontecer e outras que acontecem em segundos.

A vida da Cris mudou em segundos. De chegar em casa bêbada, e dar risada no dia seguinte com as amigas, ela mudou o seu destino. A vida do Daniel mudou. Ter que reviver uma situação traumática e lidar com isso mais uma vez. Lembranças...

E a minha vida também mudou. Custei a dormir mesmo com o sono que estava. Fechava os olhos e via o carro ultrapassando, cruzando a pista e indo de encontro ao poste. E o barulho, vidros quebrados, lataria distorcida. E a sensação que a vida é muito frágil. E que um segundo pode custar sonhos, planos.

E olhei pro meu lado. Meu namorado, amor da minha vida, assustado. Só de imaginar que algo de ruim pode acontecer com ele já me desespero. Posso suportar as minhas dores, mas ver as pessoas que eu amo sofrendo, despedaça a minha alma. Temos tanto o que viver ainda....

Que a Cris aprenda. Que se recupere a entenda o aprendizado de ter a vida ameaçada por um instante. E que Deus nos abençoe para estarmos isentos do ato de irresponsabilidade dos outros. Amem!