Eis que em meio a nosso mochilão, toca meu telefone. Erick! “Oi Ne, onde você ta..” “Em Budapeste”.... “E ai, estava pensando.... vamos pro Egito...”...
Foi exatamente assim que vim parar no Egito. Um telefonema, um convite. Muitas pesquisas pela internet, alguns emails... vamos fechar! Um dia de cada vez, sem stress, sem expectativas. Vamos viver, fazer a vida simples... mais simples ainda.
O vôo simples. Saímos de Milano. Na verdade a aventura começou em Firenze. Malas e malas de quatro meses no trem, no ônibus e no aeroporto.
Nosso grupo até que é grande, italiano. Sim, somos um grupo! Mas nosso guia não tem flor, nem bandeirinha... tem uma prancheta com o numero de nosso ônibus (16) e o nome dele (Khaled). A primeira visão veio do avião: Luxor. Fomos tentar tirar dinheiro e meu cartão foi engolido pela maquina.. ahhhh.. rsrsrs... mas e ai.. estamos no egito!
No ônibus, o Ri ligava pro meu cartão pra cancelar e eu prestava atenção no guia: Vale dos Reis, Luxor, Karnak, Cairo, Edfu... parece sonho.. nosso navio lindo. Calma.... onde... NILO! Estou no rio Nilo.. ahh que emoção! Rio Nilo! Nossa embarcação é pequena, mas nosso quarto tem vista pro Nilo. Que mais...
Primeiro dia – Luxor
Todo dia recebemos a programação do dia seguinte, com o horário do despertador. Segunda – Sveglia – 6am. Meu Deus, pra que tão cedo. Ai depois do primeiro raio de sol forte as 10am entendi! Estamos no inverno e a temperatura média é 24C. Egito!




Nossa mesa de café da manha farta. Como comemos bem aqui. Delicia. Fora os italianos chatos reclamando da comida, tudo ótimo (a noite mudamos de mesa rsrs). Entramos no ônibus e fomos... Luxor. Nosso guia, Khaled, inteligentíssimo, cheio de historias pra contar, e conhecedor profundo da historia do Egito.
Passamos pelo primeiro tempo e seguimos para o Vale dos Reis. A primeira visão é de sonhos... tumbas escavadas nas montanhas pra tentar se esconder dos saqueadores. Ao descer do ônibus... muitos e muitos egípcios vendendo de tudo, vindo atrás da gente, “uno euro, uno euro”... Dai!!! Me deixa em paz...
A visita às tumbas é demais. Lindas, imagina com os tesouros. Hieróglifos contam as historias dos imperadores e seus reinados. Vantagens, guerras, conquistas, rainhas... Visitamos duas. Basta! Vamos curtir o momento, observar as pessoas.
Os Egípcios são um povo particolare. Todos usam túnicas pra proteger a pele do sol. Muitos homens nas ruas, as poucas mulheres com véu pra esconder os cabelos, e algumas de burca. A mulher é sim ainda muito discriminada, mesmo nosso guia tendo falado que há no Egito pena de morte pra quem comete violência contra mulher, a diferença é clara e evidente!
A tarde fomos ao templo de Luxor. Total Egito. Templos imensos, desenhos de cenas de guerra... esfinges.. lindo. Todos tem a fachada bem grande, com os deuses desenhados. Ai tem a sala das colunas, a sala dos sacerdotes e a sala de sacrifício. As oferendas também. Somente os sacerdotes entravam na ultima sala.
Impressionante a grandeza dos templos. Coisas de humanidade que gosta de poder e demonstra isso através das construções. Ego! Não que hoje seja muito diferente... De lá fomos pro cruzeiro, jantar e mortos... cama!
Segundo dia – Edfu, tarde na piscina e noite oriental
Sveglia: 7:30! Café e Edfu! Saímos do cruzeiro e demos de cara com um carroça, fedida. Nosso meio de transporte até o templo. Fomos nós e nossos amigos gays, Mario e Jacopo, juntos a 25 anos, viajantes do mundo, duas vezes no Brasil.
Chegamos com o assedio dos egípcios. Compra, compra... uno euro, uno euro e mezzo... Itália uno! Roma macarone!!!



Edfu! Templo dedicado ao Deus Edfu, di Horus, construído pelo faraó Tolomei.
Inteiro, até com algumas cores aparecendo... impressionante. Intacto, cobertura, salas... oferendas... fora as partes que os cristãos destruíram dos deuses, tudo ali. Volta no tempo, na historia. Demais!
Andar pelos templos egípcios é estar nos livros de historia. Muçulmanos, sacerdotes, sultão, faraós... emocionante, real, imaginário!
Voltamos, almoço e tarde livre... vamos tomar sol e conversar com nossos amigos. Delicia de programa. E até com chá no deck com bolachas e biscoitos. Chegamos em Assuan e fomos fumar um arguile e tomar um chá com Khaled. Ainda nada de meus lenços e roupas.
Conversamos um tempão sobre cultura, religião, política. Esse foi sem duvida o momento mais importante da viagem: conhecer um pouco do Egito por um egípcio especial como nosso guia. Adoramos! Essa é uma daquelas pessoas especiais que encontramos na vida. Pai de gêmeas, amante de cultura, adora o que faz, faz em media duas excursões por mês. É autônomo. Feliz! Inteligente! E fala um bellissimo italiano.
Ainda tivemos a noite oriental. Sem dança do ventre! Mas com canções típicas, Mario e Iacopo vestidos de sultão, Ri com um turbante feito pelo Khaled, tabule, babaganuch, e um monte de comida típica. Diversão garantida. Andiamo que amanhã acordamos cedo... ahh...
Terceiro dia – Assuan (Templo Files), passeio de barco pelo Nilo e noite nubiana
Sveglia: 7hs. Ahhh, na boa... amanhã nada de passeio.. vamos descansar, acordar tarde, tomar sol e andar por Assuan. Chega de sveglia... vamos sábado pro Cairo e pronto.
Café da manha e um ônibus pequeno. Destino: File. Uma ilhazinha no meio do Nilo que abriga o templo da Deusa Isis. Sim, Isis. Já do barco se avista o templo. Como nos livros. Deusa do amor, da magia, da fertilidade. Isis, casada com seu irmão, Osíris, mãe de Horus, o falcão.




Numa ilha, perfeito. Historias, passado. Impressionante como tudo me parece familiar. Andamos, andamos, conhecemos... emoção! Dea Iside. Muitas flores de lótus e papiro espalhadas pelos desenhos do templo dessa que é a deusa da dança do ventre.
No mercado recebemos a primeira oferta por mim... sim, muitos camelos... valeu muitas e muitas risadas!
De lá fomos para a barragem da hidroelétrica de Assuan e conhecemos o Lago Nasser, construído pelo ex-presidente do Egito com mesmo nome. Imenso. Ego! A humanidade continua igual. E fomos uma fabrica de essências nubianas. Comprei flor de lótus, claro. Um pedacinho do Egito...
Voltamos, almoçamos e a tarde tivemos um passeio delicioso de barco pelo Rio Nilo. Mais historia e informação com nosso guia. O Nilo é impressionante. Uma variedade de cores, de flores, de pássaros.. e de gente!
Passamos no mercado, mais e mais camelos.. hahahaha.... como os egípcios são galanteadores... e chatos!!!
Na nossa primeira volta ao mercado paramos em uma banquinha para ver túnicas. E negociamos. Conseguimos um bom preço, mas ficamos sem dinheiro até para um chá. Ai voltamos na barraca que havíamos comprado as coisinhas, e começamos a conversar com o Egípcio. Um cristão nessa terra de muçulmanos chamado John. Nos ofereceu um chá, banquinhos e uma boa conversa. Contou de sua vida, trabalha na barraca que era de seu pai. Nos contou que tem homem demais no Egito, por isso oferecem sim muitos camelos pelas mulheres.
Perguntei quanto custa cada camelo (ele já havia oferecido 20 milhões por mim). Ele disse: quase mil Liras egípcias, ou seja, 300 euros. Uau, to cara.. rs.... Quando o John falou, o Ri até soltou um sorrisinho.. ah, vai, não tenho preço rs.. ele sabe!
A noite tivemos um jantar delicioso seguido de uma apresentação nubiana, seguida de um apresentação de nós, pobres e bobos turistas. Aquelas coisas, nos chamam e nos fazem cantar, gritar, dançar... e eles se divertem.. sabe lá Alá o que dissemos....
Quarto dia – Assuan
Férias cansa. Grupo cansa. Passeios, charretes, templos, cansa! Decidimos não fazer o passeio de hoje, Abul Simbel, templo de Ramsés II três horas em um ônibus, devendo acordar as 3hs da manha. Ficamos em Assuan.
Sem Sveglia acordamos, tomamos café e ... sol! Subimos no deck de nosso navio e lá ficamos, lendo livros, guias sobre o Egito, tranqüilos... Nosso compromisso: almoço. Só. Descemos e o pessoal que foi ao templo chegou. Cansados, com sono... valeu a pena.. ah, sim, mas é viagem demais de longa.
A tarde fomos dar uma volta na cidade de Assuan. A cidade é grande, bastante gente, um mercado grande para os turistas, e as intermináveis ofertas dos egípcios para comprar seus produtos. E claro, muitos camelos pelas mulheres.
Achei um dos meus lenços na barraca de outro egípcio fofo. Negociamos bastante, e peguei 20 reais por cada um de meus dois lenços lindos. Egípcios. Passamos pelo mercado e alguns egípcios rezavam. É assim que funciona. Eles oram cinco vezes ao dia. Quando chega a hora, a mesquita começa a entonar os cantos e orações. Eles rezam onde estiverem.
De lá, fomos num restaurante tomar um chá egípcio e fumar o arguile. Nossa, é forte pra caramba, me deixa tonta. Bom. Subimos no nosso navio. Hora de partir. Tomamos chá no deck e deixamos Assuan, sentido norte, Luxor.
Quinto dia – Kom Ombo
E lá toca a Sveglia: 8 da manhã. Nosso destino: Kom Ombo, um templo construído pelo Tolomei aos deuses Horus e Sobek, o falco e o crocodilo. Muito do templo foi destruído com terremotos, mas o que restou é fantástico. Cenas de oferendas intactas, Isis, Horus, Cleópatra, Tolomei, Sobek...
E o mais interessante do templo: um calendário. Inteiro. Em hieróglifo. Sensacional. O Egito realmente é fantástico. O resto do nosso dia foi livre, no navio (o que não é tão livre assim, vez que não temos para onde ir... a não ser ao deck, tomar sol).
Tomamos sol o dia todo, e conversamos com nossos amigos italianos. Mario estava com uma canga de Ipanema. Feliz, enrrolado, saltitando.... “Alinaaaa.... olha como estou...... bellaaaaa”. E uma grande novidade: Neva na Itália. Imagina em Lugano! Ahhh....
A noite jantamos e ficamos assistindo filme na nossa cabina! Hoje nossas toalhas estavam com um cisne e um coração e flores... fofíssimo.... Shukran!
Sexto dia – Cairo (algo a reclamar de São Paulo)
Telefone toca: 4hs da manhã. Hora de embarcar pra Cairo. Descemos, café, todos com cara de travesseiro, e fomos! O avião, Egipt Air. Subimos no nosso vôo com l’alba! Lindo nascer do sol no Egito.
Chegamos no Cairo e fomos para Citadela. Eu já havia irritado de mais o nosso guia Khaled para comprar minha roupa de dança. E ele ligou pro nosso guia local, Salim. “Vediamo”, ele disse.




Na Citadella conhecemos a moschea de Mohamed Ali. Linda, grande, lustres... e capa para esconder o corpo. Assim é o islamismo. Salim, católico – minoria no Egito (12%), explicou que muitos tem marcas na testa de tanto pregar. E eles tem mesmo.
De lá, fomos em direção ás pirâmides, Giza. Até ai, não tínhamos noção do que é Cairo. Era sábado e a cidade com movimento normal. Salim explicou: eles tem um dia de folga, para os católicos, o domingo, para os muçulmanos, sexta ou sábado. Assim, escola, comércio, tudo normal.
As pirâmides surgem no meio da cidade, como uma sombra. A maior de todas.... e do nada, a paisagem se transforma em três pirâmides, construídas no então meio do deserto. Tumba de faraós, repleta de tesouros.
A primeira visão é de sonho... uma das sete maravilhas do mundo antigo, Pirâmides do Egito. Ar seco, calor. 25C no inverno. A segunda de curiosidade.. que lindas, impressionante. A terceira de questionamentos... Como pode ter sido construída 2000 ac.
No meio de nossos devaneios, surge uma adolescente muçulmana. “Can I make a Picture of you”. E tiramos. Com ela e com muitos outros adolescentes, crianças… Se eles são diferentes para nós, imagina nós para eles. Um grupo de garotos se aproxima. Fotos, fotos... eles não param. Ai correndo vem o suposto professor. Achamos que finalmente pararia. Ele sorri, gritando com os meninos e diz: “one more, with me”. Ok, para nós, as pirâmides, para eles, os turistas.
Seguimos para a esfinge. Um pouco decepcionante, confesso. Pequena, normal. Fora construída para guardar os faraós, ela é silenciosa, e presenciou diversos fatos da historia da humanidade. Calada! Cartão porstal.
Eis que nosso guia confirma. “Ok, vocês podem ir ao mercado se não forem ao Museu Egípcio”. Ok, vabé. Vamos ao mercado, Khan El Khalili.
Almoçamos num lugar absolutamente turístico e seguimos pro museu. Pegamos um taxi, 10 liras egípcias depois e uma experiência inacreditável no transito do Egito, chegamos. Primeira loja, achei minha roupa verde, os lenços das meninas. Passeamos um pouco por esse mundo paralelo que é o mercado. Tem de tudo. Até homem que entrega o chá. Precisa um dia inteiro....
Na volta, pegamos um taxista que fez nossa viagem mais interessante ainda: Mohamed (como 80% dos Egípcios). Não falava uma palavra de inglês. Só árabe. O taxi uma raridade. O transito caótico. Todo mundo passa por cima de todo mundo, pedestres cruzam no meio da rua, os carros se jogam em direção aos outros carros. E a buzina, toda hora. E sem stress. Faz parte da rotina, do normal, do pacote Bem-vindo-ao-Cairo. Algo a reclamar de São Paulo. Acho que não...
Chegamos no museu uma hora antes do previsto, e fomos tomar um chá egípcio. Encontramos o pessoal, e de volta ao aeroporto. Ônibus, transito, avião.
A noite, mortos, descemos para o show de dança do ventre. Normal. Eu estava muito cansada, com uma dor terrível na nuca. Precisava ficar quietinha, na minha. Cansei um pouco dos olhares dos egípcios, de “quantos camelos”... preferi ficar quietinha, do lado do Ri, rindo dos turistas que pagavam mico lá com ela, tremendo e mexendo os quadris. Hoje era nossa noite de diversão.
Na toalha: um jacaré, com meu óculos de sol e escova de cabelo na boca.
Amei Cairo. A experiência foi indescritível. E volto agora para casa com a minha roupa de dança! Feliz! Com mais uns 5 kilos na mala.... A vida é simples...
Ultimo dia: Karnac – o mais lindo de todos os templos
Acordamos domingo, ultimo dia no Egito. Sveglia: 8hs. Essa noite pareceu longa! Seguimos para Karnac. Deixado por ultimo, sabiamente, é separado do templo de Luxor, por três kilometros que era repleto de esfinges.



A primeira vista ele já encanta. É um complexo. Maravilhoso. A maior sala de colunas do mundo, 134. Impressionante. Três obeliscos, dois laguinhos e um grande lago faraônico. Muitos rastros dos antepassados, intocáveis, retratando uma historia um pouco distante.
Karnac foi o templo mais lindo. Sem duvida. Passamos numa fabrica de papiros e retornamos pro nosso navio. Almoço, e descanso. Hora de fazer a mala.
A toalha já dizia tudo: CIAO! Ah, nada é pra sempre, o pra sempre, sempre acaba! O nosso pra sempre egípcio acaba hoje!
As 16 hs encontramos nossos amigos e fomos dar uma volta no mercado. Ah, que feio. Mas encontrei o CDs d Elissa e um outro duplo de dança, por 5 euros. Já negocio como uma egípcia. Rsrsrs...
Tomamos nosso ultimo chá com Arguilé, um chá, e conhecemos outro egípcio fofo: Armed. Que momentos deliciosos. São eles que fazem a viagem valer mais a pena.
Voltamos pro barco, e, Basta! Jantar e aeroporto. A volta foi cansativa, Milano chove e faz 3C! Mas “de tudo ficam as flores”. A viagem foi maravilhosa. Valeu cada segundo, cada centavo, cada expectativa.
Sonho realizado: E-G-I-T-O
O Egito foi mais que um sonho. Impressionante como tudo deu errado antes. Era pra ser assim, aqui, dessa forma.
A viagem foi maravilhosa. Sem palavras. Ontem, fizemos o balanço das cinco melhores coisas da viagem:
Nossos momentos: nós dois, os chás com Arguilé, as conversas;
O templo de Karnac;
O cruzeiro e o por-do-sol sob o Nilo;
o taxi no Cairo;
as pirâmides.
Assim, realizo mais um sonho nessa viagem especialmente mágica! Feliz.... simplesmente feliz!!!
Foi exatamente assim que vim parar no Egito. Um telefonema, um convite. Muitas pesquisas pela internet, alguns emails... vamos fechar! Um dia de cada vez, sem stress, sem expectativas. Vamos viver, fazer a vida simples... mais simples ainda.
O vôo simples. Saímos de Milano. Na verdade a aventura começou em Firenze. Malas e malas de quatro meses no trem, no ônibus e no aeroporto.
Nosso grupo até que é grande, italiano. Sim, somos um grupo! Mas nosso guia não tem flor, nem bandeirinha... tem uma prancheta com o numero de nosso ônibus (16) e o nome dele (Khaled). A primeira visão veio do avião: Luxor. Fomos tentar tirar dinheiro e meu cartão foi engolido pela maquina.. ahhhh.. rsrsrs... mas e ai.. estamos no egito!
No ônibus, o Ri ligava pro meu cartão pra cancelar e eu prestava atenção no guia: Vale dos Reis, Luxor, Karnak, Cairo, Edfu... parece sonho.. nosso navio lindo. Calma.... onde... NILO! Estou no rio Nilo.. ahh que emoção! Rio Nilo! Nossa embarcação é pequena, mas nosso quarto tem vista pro Nilo. Que mais...
Primeiro dia – Luxor
Todo dia recebemos a programação do dia seguinte, com o horário do despertador. Segunda – Sveglia – 6am. Meu Deus, pra que tão cedo. Ai depois do primeiro raio de sol forte as 10am entendi! Estamos no inverno e a temperatura média é 24C. Egito!
Nossa mesa de café da manha farta. Como comemos bem aqui. Delicia. Fora os italianos chatos reclamando da comida, tudo ótimo (a noite mudamos de mesa rsrs). Entramos no ônibus e fomos... Luxor. Nosso guia, Khaled, inteligentíssimo, cheio de historias pra contar, e conhecedor profundo da historia do Egito.
Passamos pelo primeiro tempo e seguimos para o Vale dos Reis. A primeira visão é de sonhos... tumbas escavadas nas montanhas pra tentar se esconder dos saqueadores. Ao descer do ônibus... muitos e muitos egípcios vendendo de tudo, vindo atrás da gente, “uno euro, uno euro”... Dai!!! Me deixa em paz...
A visita às tumbas é demais. Lindas, imagina com os tesouros. Hieróglifos contam as historias dos imperadores e seus reinados. Vantagens, guerras, conquistas, rainhas... Visitamos duas. Basta! Vamos curtir o momento, observar as pessoas.
Os Egípcios são um povo particolare. Todos usam túnicas pra proteger a pele do sol. Muitos homens nas ruas, as poucas mulheres com véu pra esconder os cabelos, e algumas de burca. A mulher é sim ainda muito discriminada, mesmo nosso guia tendo falado que há no Egito pena de morte pra quem comete violência contra mulher, a diferença é clara e evidente!
A tarde fomos ao templo de Luxor. Total Egito. Templos imensos, desenhos de cenas de guerra... esfinges.. lindo. Todos tem a fachada bem grande, com os deuses desenhados. Ai tem a sala das colunas, a sala dos sacerdotes e a sala de sacrifício. As oferendas também. Somente os sacerdotes entravam na ultima sala.
Impressionante a grandeza dos templos. Coisas de humanidade que gosta de poder e demonstra isso através das construções. Ego! Não que hoje seja muito diferente... De lá fomos pro cruzeiro, jantar e mortos... cama!
Segundo dia – Edfu, tarde na piscina e noite oriental
Sveglia: 7:30! Café e Edfu! Saímos do cruzeiro e demos de cara com um carroça, fedida. Nosso meio de transporte até o templo. Fomos nós e nossos amigos gays, Mario e Jacopo, juntos a 25 anos, viajantes do mundo, duas vezes no Brasil.
Chegamos com o assedio dos egípcios. Compra, compra... uno euro, uno euro e mezzo... Itália uno! Roma macarone!!!
Edfu! Templo dedicado ao Deus Edfu, di Horus, construído pelo faraó Tolomei.
Inteiro, até com algumas cores aparecendo... impressionante. Intacto, cobertura, salas... oferendas... fora as partes que os cristãos destruíram dos deuses, tudo ali. Volta no tempo, na historia. Demais!
Andar pelos templos egípcios é estar nos livros de historia. Muçulmanos, sacerdotes, sultão, faraós... emocionante, real, imaginário!
Voltamos, almoço e tarde livre... vamos tomar sol e conversar com nossos amigos. Delicia de programa. E até com chá no deck com bolachas e biscoitos. Chegamos em Assuan e fomos fumar um arguile e tomar um chá com Khaled. Ainda nada de meus lenços e roupas.
Conversamos um tempão sobre cultura, religião, política. Esse foi sem duvida o momento mais importante da viagem: conhecer um pouco do Egito por um egípcio especial como nosso guia. Adoramos! Essa é uma daquelas pessoas especiais que encontramos na vida. Pai de gêmeas, amante de cultura, adora o que faz, faz em media duas excursões por mês. É autônomo. Feliz! Inteligente! E fala um bellissimo italiano.
Ainda tivemos a noite oriental. Sem dança do ventre! Mas com canções típicas, Mario e Iacopo vestidos de sultão, Ri com um turbante feito pelo Khaled, tabule, babaganuch, e um monte de comida típica. Diversão garantida. Andiamo que amanhã acordamos cedo... ahh...
Terceiro dia – Assuan (Templo Files), passeio de barco pelo Nilo e noite nubiana
Sveglia: 7hs. Ahhh, na boa... amanhã nada de passeio.. vamos descansar, acordar tarde, tomar sol e andar por Assuan. Chega de sveglia... vamos sábado pro Cairo e pronto.
Café da manha e um ônibus pequeno. Destino: File. Uma ilhazinha no meio do Nilo que abriga o templo da Deusa Isis. Sim, Isis. Já do barco se avista o templo. Como nos livros. Deusa do amor, da magia, da fertilidade. Isis, casada com seu irmão, Osíris, mãe de Horus, o falcão.
Numa ilha, perfeito. Historias, passado. Impressionante como tudo me parece familiar. Andamos, andamos, conhecemos... emoção! Dea Iside. Muitas flores de lótus e papiro espalhadas pelos desenhos do templo dessa que é a deusa da dança do ventre.
No mercado recebemos a primeira oferta por mim... sim, muitos camelos... valeu muitas e muitas risadas!
De lá fomos para a barragem da hidroelétrica de Assuan e conhecemos o Lago Nasser, construído pelo ex-presidente do Egito com mesmo nome. Imenso. Ego! A humanidade continua igual. E fomos uma fabrica de essências nubianas. Comprei flor de lótus, claro. Um pedacinho do Egito...
Voltamos, almoçamos e a tarde tivemos um passeio delicioso de barco pelo Rio Nilo. Mais historia e informação com nosso guia. O Nilo é impressionante. Uma variedade de cores, de flores, de pássaros.. e de gente!
Passamos no mercado, mais e mais camelos.. hahahaha.... como os egípcios são galanteadores... e chatos!!!
Na nossa primeira volta ao mercado paramos em uma banquinha para ver túnicas. E negociamos. Conseguimos um bom preço, mas ficamos sem dinheiro até para um chá. Ai voltamos na barraca que havíamos comprado as coisinhas, e começamos a conversar com o Egípcio. Um cristão nessa terra de muçulmanos chamado John. Nos ofereceu um chá, banquinhos e uma boa conversa. Contou de sua vida, trabalha na barraca que era de seu pai. Nos contou que tem homem demais no Egito, por isso oferecem sim muitos camelos pelas mulheres.
Perguntei quanto custa cada camelo (ele já havia oferecido 20 milhões por mim). Ele disse: quase mil Liras egípcias, ou seja, 300 euros. Uau, to cara.. rs.... Quando o John falou, o Ri até soltou um sorrisinho.. ah, vai, não tenho preço rs.. ele sabe!
A noite tivemos um jantar delicioso seguido de uma apresentação nubiana, seguida de um apresentação de nós, pobres e bobos turistas. Aquelas coisas, nos chamam e nos fazem cantar, gritar, dançar... e eles se divertem.. sabe lá Alá o que dissemos....
Quarto dia – Assuan
Férias cansa. Grupo cansa. Passeios, charretes, templos, cansa! Decidimos não fazer o passeio de hoje, Abul Simbel, templo de Ramsés II três horas em um ônibus, devendo acordar as 3hs da manha. Ficamos em Assuan.
Sem Sveglia acordamos, tomamos café e ... sol! Subimos no deck de nosso navio e lá ficamos, lendo livros, guias sobre o Egito, tranqüilos... Nosso compromisso: almoço. Só. Descemos e o pessoal que foi ao templo chegou. Cansados, com sono... valeu a pena.. ah, sim, mas é viagem demais de longa.
A tarde fomos dar uma volta na cidade de Assuan. A cidade é grande, bastante gente, um mercado grande para os turistas, e as intermináveis ofertas dos egípcios para comprar seus produtos. E claro, muitos camelos pelas mulheres.
Achei um dos meus lenços na barraca de outro egípcio fofo. Negociamos bastante, e peguei 20 reais por cada um de meus dois lenços lindos. Egípcios. Passamos pelo mercado e alguns egípcios rezavam. É assim que funciona. Eles oram cinco vezes ao dia. Quando chega a hora, a mesquita começa a entonar os cantos e orações. Eles rezam onde estiverem.
De lá, fomos num restaurante tomar um chá egípcio e fumar o arguile. Nossa, é forte pra caramba, me deixa tonta. Bom. Subimos no nosso navio. Hora de partir. Tomamos chá no deck e deixamos Assuan, sentido norte, Luxor.
Quinto dia – Kom Ombo
E lá toca a Sveglia: 8 da manhã. Nosso destino: Kom Ombo, um templo construído pelo Tolomei aos deuses Horus e Sobek, o falco e o crocodilo. Muito do templo foi destruído com terremotos, mas o que restou é fantástico. Cenas de oferendas intactas, Isis, Horus, Cleópatra, Tolomei, Sobek...
E o mais interessante do templo: um calendário. Inteiro. Em hieróglifo. Sensacional. O Egito realmente é fantástico. O resto do nosso dia foi livre, no navio (o que não é tão livre assim, vez que não temos para onde ir... a não ser ao deck, tomar sol).
Tomamos sol o dia todo, e conversamos com nossos amigos italianos. Mario estava com uma canga de Ipanema. Feliz, enrrolado, saltitando.... “Alinaaaa.... olha como estou...... bellaaaaa”. E uma grande novidade: Neva na Itália. Imagina em Lugano! Ahhh....
A noite jantamos e ficamos assistindo filme na nossa cabina! Hoje nossas toalhas estavam com um cisne e um coração e flores... fofíssimo.... Shukran!
Sexto dia – Cairo (algo a reclamar de São Paulo)
Telefone toca: 4hs da manhã. Hora de embarcar pra Cairo. Descemos, café, todos com cara de travesseiro, e fomos! O avião, Egipt Air. Subimos no nosso vôo com l’alba! Lindo nascer do sol no Egito.
Chegamos no Cairo e fomos para Citadela. Eu já havia irritado de mais o nosso guia Khaled para comprar minha roupa de dança. E ele ligou pro nosso guia local, Salim. “Vediamo”, ele disse.
Na Citadella conhecemos a moschea de Mohamed Ali. Linda, grande, lustres... e capa para esconder o corpo. Assim é o islamismo. Salim, católico – minoria no Egito (12%), explicou que muitos tem marcas na testa de tanto pregar. E eles tem mesmo.
De lá, fomos em direção ás pirâmides, Giza. Até ai, não tínhamos noção do que é Cairo. Era sábado e a cidade com movimento normal. Salim explicou: eles tem um dia de folga, para os católicos, o domingo, para os muçulmanos, sexta ou sábado. Assim, escola, comércio, tudo normal.
As pirâmides surgem no meio da cidade, como uma sombra. A maior de todas.... e do nada, a paisagem se transforma em três pirâmides, construídas no então meio do deserto. Tumba de faraós, repleta de tesouros.
A primeira visão é de sonho... uma das sete maravilhas do mundo antigo, Pirâmides do Egito. Ar seco, calor. 25C no inverno. A segunda de curiosidade.. que lindas, impressionante. A terceira de questionamentos... Como pode ter sido construída 2000 ac.
No meio de nossos devaneios, surge uma adolescente muçulmana. “Can I make a Picture of you”. E tiramos. Com ela e com muitos outros adolescentes, crianças… Se eles são diferentes para nós, imagina nós para eles. Um grupo de garotos se aproxima. Fotos, fotos... eles não param. Ai correndo vem o suposto professor. Achamos que finalmente pararia. Ele sorri, gritando com os meninos e diz: “one more, with me”. Ok, para nós, as pirâmides, para eles, os turistas.
Seguimos para a esfinge. Um pouco decepcionante, confesso. Pequena, normal. Fora construída para guardar os faraós, ela é silenciosa, e presenciou diversos fatos da historia da humanidade. Calada! Cartão porstal.
Eis que nosso guia confirma. “Ok, vocês podem ir ao mercado se não forem ao Museu Egípcio”. Ok, vabé. Vamos ao mercado, Khan El Khalili.
Almoçamos num lugar absolutamente turístico e seguimos pro museu. Pegamos um taxi, 10 liras egípcias depois e uma experiência inacreditável no transito do Egito, chegamos. Primeira loja, achei minha roupa verde, os lenços das meninas. Passeamos um pouco por esse mundo paralelo que é o mercado. Tem de tudo. Até homem que entrega o chá. Precisa um dia inteiro....
Na volta, pegamos um taxista que fez nossa viagem mais interessante ainda: Mohamed (como 80% dos Egípcios). Não falava uma palavra de inglês. Só árabe. O taxi uma raridade. O transito caótico. Todo mundo passa por cima de todo mundo, pedestres cruzam no meio da rua, os carros se jogam em direção aos outros carros. E a buzina, toda hora. E sem stress. Faz parte da rotina, do normal, do pacote Bem-vindo-ao-Cairo. Algo a reclamar de São Paulo. Acho que não...
Chegamos no museu uma hora antes do previsto, e fomos tomar um chá egípcio. Encontramos o pessoal, e de volta ao aeroporto. Ônibus, transito, avião.
A noite, mortos, descemos para o show de dança do ventre. Normal. Eu estava muito cansada, com uma dor terrível na nuca. Precisava ficar quietinha, na minha. Cansei um pouco dos olhares dos egípcios, de “quantos camelos”... preferi ficar quietinha, do lado do Ri, rindo dos turistas que pagavam mico lá com ela, tremendo e mexendo os quadris. Hoje era nossa noite de diversão.
Na toalha: um jacaré, com meu óculos de sol e escova de cabelo na boca.
Amei Cairo. A experiência foi indescritível. E volto agora para casa com a minha roupa de dança! Feliz! Com mais uns 5 kilos na mala.... A vida é simples...
Ultimo dia: Karnac – o mais lindo de todos os templos
Acordamos domingo, ultimo dia no Egito. Sveglia: 8hs. Essa noite pareceu longa! Seguimos para Karnac. Deixado por ultimo, sabiamente, é separado do templo de Luxor, por três kilometros que era repleto de esfinges.
A primeira vista ele já encanta. É um complexo. Maravilhoso. A maior sala de colunas do mundo, 134. Impressionante. Três obeliscos, dois laguinhos e um grande lago faraônico. Muitos rastros dos antepassados, intocáveis, retratando uma historia um pouco distante.
Karnac foi o templo mais lindo. Sem duvida. Passamos numa fabrica de papiros e retornamos pro nosso navio. Almoço, e descanso. Hora de fazer a mala.
A toalha já dizia tudo: CIAO! Ah, nada é pra sempre, o pra sempre, sempre acaba! O nosso pra sempre egípcio acaba hoje!
As 16 hs encontramos nossos amigos e fomos dar uma volta no mercado. Ah, que feio. Mas encontrei o CDs d Elissa e um outro duplo de dança, por 5 euros. Já negocio como uma egípcia. Rsrsrs...
Tomamos nosso ultimo chá com Arguilé, um chá, e conhecemos outro egípcio fofo: Armed. Que momentos deliciosos. São eles que fazem a viagem valer mais a pena.
Voltamos pro barco, e, Basta! Jantar e aeroporto. A volta foi cansativa, Milano chove e faz 3C! Mas “de tudo ficam as flores”. A viagem foi maravilhosa. Valeu cada segundo, cada centavo, cada expectativa.
Sonho realizado: E-G-I-T-O
O Egito foi mais que um sonho. Impressionante como tudo deu errado antes. Era pra ser assim, aqui, dessa forma.
A viagem foi maravilhosa. Sem palavras. Ontem, fizemos o balanço das cinco melhores coisas da viagem:
Nossos momentos: nós dois, os chás com Arguilé, as conversas;
O templo de Karnac;
O cruzeiro e o por-do-sol sob o Nilo;
o taxi no Cairo;
as pirâmides.
Assim, realizo mais um sonho nessa viagem especialmente mágica! Feliz.... simplesmente feliz!!!
1 comentários:
C-A-R-A-L-E-O ALINE!!! senza parole.
(e amei a foto dos quietinhos!)
Postar um comentário